Vocação cristã: todos somos chamados à santidade?

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Quando se fala em vocação cristã, muitas pessoas pensam imediatamente no sacerdócio ou na vida religiosa. Essa associação, embora legítima, é incompleta. A fé católica ensina que a vocação não se limita a estados específicos de vida, mas está no coração da própria identidade cristã.

Segundo o ensinamento da Igreja, todo cristão é chamado por Deus à santidade, independentemente de sua condição, função ou estado de vida. Essa verdade não é uma opinião recente, mas faz parte do núcleo da doutrina católica.

O que a Igreja entende por vocação cristã?

Na doutrina católica, vocação significa chamado divino.

Deus chama cada pessoa à comunhão com Ele e à participação em Seu plano de salvação.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, esse chamado começa no Batismo, quando o fiel é incorporado a Cristo e se torna membro da Igreja (cf. CIC 1, 1213).

Assim, a vocação cristã fundamental não é primeiramente uma função ou missão específica, mas o chamado a viver como filho de Deus, em comunhão com Cristo.


A vocação universal à santidade

A Igreja ensina de forma clara e definitiva que todos os fiéis são chamados à santidade.

Essa doutrina foi expressa solenemente pelo Concílio Vaticano II na Constituição Dogmática Lumen Gentium, especialmente no capítulo V, onde se afirma que todos os cristãos são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade.

O Catecismo da Igreja Católica retoma esse ensinamento ao afirmar que todos são chamados à santidade e que a vida cristã consiste em seguir Cristo no caminho do amor e da fidelidade (cf. CIC 2012–2014).

Portanto:

  • não há cristãos “dispensados” da santidade;
  • não existe vocação cristã sem referência a esse chamado;
  • a santidade é a vocação comum de todo batizado.

Santidade segundo a doutrina da Igreja

A santidade, segundo a fé católica, não é perfeição humana absoluta, nem ausência de limites ou dificuldades.

A Igreja ensina que a santidade consiste na união com Deus, vivida por meio da fé, da esperança e da caridade, sustentadas pela graça divina (cf. CIC 1996–2005).

Isso significa que:

  • a santidade admite crescimento progressivo;
  • envolve conversão contínua;
  • inclui quedas, arrependimento e recomeço.

Ser santo não é nunca errar, mas permanecer fiel à graça de Deus, mesmo em meio às fragilidades.


A vocação à santidade nos diferentes estados de vida

A Igreja reconhece diversos estados de vida como caminhos legítimos de santidade:

  • vida matrimonial;
  • vida leiga no mundo;
  • vida sacerdotal;
  • vida consagrada;
  • vida missionária.

O Concílio Vaticano II ensina que cada estado de vida possui meios próprios para a santificação, mas todos participam do mesmo chamado fundamental à caridade (cf. Lumen Gentium, 41).

Nenhuma vocação é superior em dignidade quanto ao chamado à santidade; o que diferencia é a forma concreta de vivê-la.


Santidade vivida no cotidiano

Para a maioria dos fiéis, a vocação à santidade se realiza no cotidiano da vida: no trabalho, na família, nas responsabilidades assumidas e nas relações humanas.

Segundo o Catecismo, a santidade se constrói especialmente pela fidelidade às obrigações do próprio estado de vida, vividas em união com Cristo (cf. CIC 2013).

A vida ordinária, quando vivida com fé e caridade, torna-se verdadeiro caminho de santificação.


A santidade como resposta à graça

O ser humano é chamado a cooperar livremente com essa graça, mas não a produzi-la por si mesmo (cf. CIC 2008).

Assim, a vocação cristã à santidade:

  • não é conquista pessoal;
  • não se baseia apenas no esforço humano;
  • é resposta amorosa à iniciativa de Deus.

Discernir e viver a própria vocação

A Igreja recomenda alguns meios seguros para discernir e viver a própria vocação:

  • oração constante;
  • escuta da Palavra de Deus;
  • vida sacramental;
  • acompanhamento espiritual;
  • fidelidade às responsabilidades da vida.

Esses meios, ensinados e vividos pela Igreja ao longo dos séculos, ajudam o fiel a reconhecer a vontade de Deus e a permanecer nela.


Todos somos chamados, cada um segundo o plano de Deus

A fé católica afirma com clareza: todos somos chamados à santidade, mas cada pessoa percorre esse caminho de modo único, segundo os dons e a missão recebidos de Deus.

Responder a esse chamado é viver a vida cristã com fé, perseverança e amor, confiando que Deus age também — e especialmente — no cotidiano da vida.


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