O jejum é uma das práticas espirituais mais antigas da tradição cristã. Presente na Sagrada Escritura, na vida de Jesus e no ensinamento constante da Igreja, ele não é uma simples renúncia alimentar, mas um exercício espiritual profundo, orientado à conversão do coração.
Em um mundo marcado pelo excesso, pelo imediatismo e pela dificuldade de renúncia, o jejum cristão continua sendo atual e necessário. Mas o que, de fato, a Igreja ensina sobre o jejum? E como praticá-lo corretamente, sem reduzi-lo a um costume vazio ou a um sacrifício sem sentido?
O que é o jejum cristão segundo a Igreja?
Segundo o ensinamento da Igreja, o jejum é uma prática penitencial pela qual o fiel se abstém voluntariamente de alimentos ou reduz sua alimentação, com finalidade espiritual.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que o jejum faz parte das práticas de penitência que ajudam o cristão a:
- converter o coração;
- dominar os próprios impulsos;
- reparar as faltas cometidas;
- crescer na liberdade interior (cf. CIC 1434).
O jejum cristão nunca é um fim em si mesmo. Ele está sempre ligado à oração, à caridade e à conversão.
O jejum na Sagrada Escritura e na vida de Jesus
A Bíblia apresenta o jejum como gesto de humildade, súplica e preparação espiritual.
No Novo Testamento, o próprio Jesus Cristo jejua durante quarenta dias no deserto antes de iniciar sua vida pública.
Esse gesto revela que:
- o jejum prepara para o discernimento;
- ele fortalece a fidelidade a Deus;
- ajuda a ordenar os desejos humanos.
A Igreja segue esse exemplo de Cristo ao propor o jejum especialmente no tempo da Quaresma.
Quando o jejum é obrigatório na Igreja Católica?
A Igreja estabelece dias específicos de jejum e abstinência para ajudar os fiéis a viverem a penitência de forma concreta.
Segundo a disciplina da Igreja:
- a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são dias de jejum e abstinência;
- as sextas-feiras da Quaresma são dias de abstinência de carne;
- o jejum é obrigatório para os fiéis entre 18 e 59 anos, salvo impedimentos de saúde;
- a abstinência de carne é obrigatória a partir dos 14 anos.
Essas normas expressam a dimensão comunitária da penitência cristã.
Como funciona o jejum na prática?
O jejum, conforme a orientação da Igreja, consiste em:
- fazer apenas uma refeição principal no dia;
- permitir duas refeições leves, se necessário;
- evitar excessos mesmo nas refeições permitidas.
A Igreja deixa claro que o jejum não deve prejudicar a saúde nem comprometer as responsabilidades do fiel.
O verdadeiro sentido do jejum cristão
A fé cristã ensina que o valor do jejum não está apenas na privação material, mas na intenção espiritual.
O jejum cristão:
- educa o coração para a sobriedade;
- combate o egoísmo;
- desperta a solidariedade;
- abre espaço para a oração;
- favorece a conversão interior.
Sem oração e caridade, o jejum perde seu sentido e se torna apenas uma prática exterior.
Jejum não é dieta nem castigo
A Igreja faz questão de distinguir o jejum cristão de práticas puramente alimentares ou punitivas.
O jejum:
- não é dieta;
- não é castigo do corpo;
- não é forma de autopunição;
- não busca sofrimento pelo sofrimento.
Ele é um ato livre, consciente e espiritual, vivido por amor a Deus e como resposta à Sua graça.
Jejum, oração e caridade: práticas inseparáveis
A tradição cristã sempre ensinou que o jejum deve caminhar junto com:
- a oração, que eleva o coração a Deus;
- a caridade, que transforma a renúncia em amor concreto ao próximo.
Renunciar a algo só faz sentido quando essa renúncia gera abertura ao outro e maior disponibilidade interior para Deus.
Como viver bem o jejum no dia a dia
Além dos dias obrigatórios, a Igreja permite e incentiva formas pessoais de jejum, adaptadas à realidade de cada fiel:
- renunciar a excessos;
- moderar o uso de bens e distrações;
- abster-se voluntariamente de algo lícito por amor a Deus;
- transformar a renúncia em gesto de caridade.
Essas práticas ajudam a manter o espírito penitencial ao longo do ano.
O jejum como caminho de liberdade espiritual
O objetivo último do jejum cristão não é a privação, mas a liberdade interior.
Ao aprender a dizer “não” a si mesmo, o fiel se torna mais livre para dizer “sim” a Deus.
O jejum bem vivido fortalece a vida espiritual, prepara o coração para a Páscoa e ajuda o cristão a crescer na fidelidade ao Evangelho.
Jejum que conduz à vida nova
A Igreja propõe o jejum não como peso, mas como meio de renovação espiritual.
Quando vivido com fé, ele se torna fonte de conversão, maturidade e esperança.
Assim, o jejum cristão permanece atual: um caminho simples, exigente e profundamente libertador para quem deseja viver a fé de forma mais consciente e autêntica.
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