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História de Nossa Senhora Aparecida: o encontro no rio em 1717

Em 1717, três pescadores que nada pegavam recolheram do rio Paraíba do Sul uma imagem de barro. A história completa, do encontro à proclamação como Padroeira.

Por Nossa Sagrada Família

Imagem de Nossa Senhora Aparecida coroada, no interior da basílica

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada em outubro de 1717 no rio Paraíba do Sul, perto de Guaratinguetá, por três pescadores que não conseguiam pegar nada. Vieram primeiro o corpo da imagem e depois a cabeça. A partir dali a devoção cresceu por conta do povo, e só séculos depois recebeu os títulos oficiais: coroada em 1904 e proclamada Padroeira do Brasil em 1930.

O que levou os pescadores ao rio

Em 1717, Dom Pedro de Almeida e Portugal, conde de Assumar, viajava para assumir o governo em Vila Rica e passaria por Guaratinguetá. A cidade precisava recebê-lo, e a recepção exigia peixe.

Os pescadores da região foram convocados. Entre eles, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso. O trecho do Paraíba do Sul onde trabalhavam, no Porto Itaguaçu, não estava rendendo, e eles desciam o rio há horas sem tirar nada da água.

O encontro

Foi João Alves quem lançou a rede e recolheu, em vez de peixe, o corpo de uma imagem de barro, sem a cabeça. Lançou de novo no mesmo ponto e recolheu a cabeça.

Guardaram a imagem, continuaram a pescaria e, segundo o relato conservado, a partir dali a pesca foi tão abundante que precisaram voltar antes do previsto por causa do peso das canoas.

A imagem tem cerca de 40 centímetros, é de terracota e representa Nossa Senhora da Conceição, iconografia comum no Brasil colonial. É atribuída a Frei Agostinho de Jesus, monge beneditino que trabalhou em São Paulo no século XVII.

Os primeiros quinze anos

A imagem ficou na casa de Filipe Pedroso por cerca de quinze anos, onde vizinhos começaram a se reunir para rezar. Foi uma devoção estritamente doméstica no início, sem paróquia, sem padre e sem qualquer reconhecimento.

Com o aumento das pessoas, o filho dele, Atanásio Pedroso, construiu um oratório para receber os que chegavam. A procura continuou crescendo, e em 1734 iniciou-se a construção de uma capela no Morro dos Coqueiros, benta em 1745.

Vale reter esse dado, porque explica muita coisa sobre a devoção brasileira: o povo reconheceu a imagem como sua muito antes de qualquer instância oficial se pronunciar.

A cor escura

A imagem é de terracota, argila cozida de tom naturalmente escuro. O tom se acentuou pelos anos em que esteve submersa no rio e, depois, pela fumaça das velas de gerações de devotos. Não é pintura nem acréscimo simbólico: é o barro e é o tempo.

A coroa e o manto

Nem a coroa nem o manto bordado fazem parte da escultura original, que é a figura em terracota de mãos postas. Foram acrescentados pela devoção ao longo dos séculos.

Em 1888, a Princesa Isabel visitou o santuário e ofereceu a coroa de ouro e o manto azul. Em 1904, por decreto do Papa São Pio X, realizou-se a coroação canônica da imagem.

Padroeira do Brasil

Em 1930, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira principal do Brasil, atendendo ao pedido do episcopado brasileiro e reconhecendo uma devoção que já era nacional havia muito tempo.

A construção do santuário atual começou em 1955, para dar conta do número de romeiros que a igreja antiga já não comportava. Em 4 de julho de 1980, o Papa João Paulo II visitou Aparecida e consagrou a Basílica, hoje o maior santuário mariano do mundo em capacidade.

No mesmo ano de 1980, o 12 de outubro passou a ser feriado nacional.

A imagem quebrada em 1978

Em 16 de maio de 1978, um homem retirou a imagem do nicho e a atirou ao chão, partindo-a em mais de duzentos fragmentos. A restauração foi feita pela restauradora Maria Helena Chartuni ao longo de meses, e a imagem voltou ao santuário.

O episódio é lembrado sem escândalo pela própria Basílica, e a restauração é hoje parte da história da peça.

O que a história ensina sobre a devoção

O detalhe que atravessa todo o relato é a rede vazia. A imagem não apareceu numa igreja nem para uma autoridade: apareceu no trabalho de três homens pobres num dia em que nada estava dando certo.

É por isso que a devoção a Aparecida tem, no Brasil, um tom particular de proximidade. Não se trata de uma aparição com mensagem e videntes, como em Fátima ou Lourdes, e sim de um encontro no meio do trabalho, sem palavras e sem testemunho sobrenatural registrado.

Para visitar

O Santuário Nacional fica em Aparecida, no interior de São Paulo, a cerca de 170 km da capital, na via Dutra. A festa é em 12 de outubro, e a novena preparatória vai de 3 a 11 de outubro.

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Devoção a AparecidaImagens e oratórios

Perguntas frequentes

Quando Nossa Senhora Aparecida foi encontrada?
Em outubro de 1717, no rio Paraíba do Sul, perto de Guaratinguetá, no trecho conhecido como Porto Itaguaçu.
Quem encontrou a imagem?
Três pescadores: Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso. Foi João Alves quem recolheu na rede o corpo e depois a cabeça da imagem.
Por que a imagem é escura?
Porque é de terracota, argila de tom naturalmente escuro, e escureceu ainda mais pelos anos submersa no rio e pela fumaça das velas ao longo dos séculos.
Quando Aparecida foi proclamada Padroeira do Brasil?
Em 1930, pelo Papa Pio XI, a pedido do episcopado brasileiro. A coroação canônica havia ocorrido em 1904, por decreto de São Pio X.
A imagem original ainda existe?
Sim. Ela foi partida em 1978 por um homem que a atirou ao chão, e foi restaurada ao longo de meses. Está no Santuário Nacional, em Aparecida.

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