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São Tomás More e São João Fisher — 22 de junho: mártires da consciência

São Tomás More e São João Fisher, mártires ingleses celebrados em 22 de junho: fidelidade à consciência diante de Henrique VIII, legado e oração.

Por Nossa Sagrada Família

Retratos de dois homens lado a lado, um com boina e gola de pele e outro idoso com touca
Retratos de dois homens lado a lado, um com boina e gola de pele e outro idoso com touca

São Tomás More e São João Fisher são os dois grandes mártires ingleses celebrados juntos em 22 de junho. O chanceler do reino e o bispo de Rochester foram decapitados em 1535 por recusarem reconhecer o rei Henrique VIII como chefe da Igreja, preferindo a fidelidade a Deus e ao Papa à própria vida.

Ficha rápida de São Tomás More e São João Fisher

  • Memória litúrgica: 22 de junho (memória facultativa no Calendário Romano Geral)
  • Título: mártires da Inglaterra
  • João Fisher: nasceu em 1469, em Beverley; bispo de Rochester; decapitado em 22 de junho de 1535
  • Tomás More: nasceu em 1478, em Londres; jurista, autor de “Utopia”, chanceler do reino; decapitado em 6 de julho de 1535
  • Canonização: 19 de maio de 1935, pelo Papa Pio XI
  • Patronato: Tomás More é padroeiro dos governantes e políticos (São João Paulo II, ano 2000) e dos advogados

Quem foram São Tomás More e São João Fisher?

João Fisher nasceu em 1469, em Beverley, na Inglaterra. Brilhante teólogo formado em Cambridge, da qual se tornou chanceler, foi nomeado bispo de Rochester em 1504. Vivia com austeridade exemplar numa época de bispos mundanos, era pregador respeitado em toda a Europa e amigo dos humanistas, defendendo a reforma dos costumes sem romper a unidade da Igreja.

Tomás More nasceu em Londres, em 1478. Advogado de gênio, escritor célebre — sua obra “Utopia” (1516) é lida até hoje —, foi também esposo e pai dedicado: sua casa em Chelsea era uma escola de fé, cultura e alegria, admirada por toda a Europa. Subiu todos os degraus do serviço público até se tornar, em 1529, Lorde Chanceler da Inglaterra, o primeiro leigo a ocupar o posto.

A tempestade veio quando Henrique VIII decidiu anular seu casamento com Catarina de Aragão para desposar Ana Bolena. Sem a anuência do Papa, o rei proclamou-se chefe supremo da Igreja na Inglaterra e exigiu de todos o juramento de reconhecê-lo. Fisher foi o único bispo a recusar abertamente; More renunciou ao cargo de chanceler em 1532 e retirou-se em silêncio — mas o silêncio de um homem tão respeitado gritava.

Ambos foram encarcerados na Torre de Londres em 1534. Na prisão, More escreveu obras espirituais luminosas; Fisher, já doente e envelhecido, foi criado cardeal pelo Papa Paulo III — o que enfureceu ainda mais o rei. Julgados sumariamente por traição, mantiveram serenidade e até bom humor diante dos juízes.

João Fisher foi decapitado em 22 de junho de 1535, segurando o Evangelho e perdoando o carrasco. Tomás More o seguiu em 6 de julho, declarando no cadafalso que morria “bom servidor do rei, mas primeiro, de Deus”. Pio XI os canonizou juntos em 1935, fixando a memória comum no dia do martírio de Fisher.

Legado e espiritualidade

O legado dos dois mártires é a primazia da consciência formada diante de qualquer poder. Eles não buscaram o confronto nem o martírio; esgotaram todos os caminhos honestos — mas, quando restou escolher entre agradar o rei e obedecer a Deus, não hesitaram. É a lição permanente para cristãos em cargos públicos e privados.

Tomás More é também um modelo raro de santidade laical e familiar: advogado bem-sucedido, político, intelectual, marido e pai amoroso. Provou que é possível ser santo no tribunal, no parlamento e na mesa de jantar — e que a fé não diminui a competência, mas a eleva.

João Fisher permanece o modelo do pastor íntegro: estudioso, pobre, corajoso. Único bispo inglês a resistir, mostrou que a fidelidade não se mede pela companhia, e que um só homem com Deus já é maioria.

Inspiração para a nossa vida

1. Não vender a consciência por cargo ou salário. More renunciou ao posto mais alto do reino. Diante de propostas desonestas no trabalho ou nos negócios, nossa integridade vale mais que qualquer vantagem.

2. Santificar a vida familiar. A casa de More era escola de fé e alegria. Nossa casa também pode ser: com oração em comum, refeições partilhadas, boas conversas e bom humor.

3. Ter coragem de ser minoria. Fisher ficou sozinho entre os bispos. Quando todos ao redor cedem, a fidelidade solitária de um cristão pode iluminar gerações.

4. Unir fé e competência profissional. More foi o melhor jurista do reino; Fisher, o maior teólogo. Estudar, trabalhar bem e rezar não são caminhos paralelos: são o mesmo caminho.

5. Enfrentar as provações com bom humor. More brincou até no cadafalso. A alegria cristã, mesmo na dor, é sinal de esperança em Deus — também nas nossas cruzes de cada dia.

Oração a São Tomás More e São João Fisher

Ó Deus, que coroastes com o martírio a fidelidade de São Tomás More e São João Fisher, concedei-nos, por sua intercessão, uma consciência reta que nenhum interesse corrompa, coragem para permanecer fiéis quando for difícil e a graça de servir primeiro a vós em todas as coisas. Iluminai os governantes e todos os que exercem autoridade, para que busquem a justiça e o bem comum. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

São Tomás More e São João Fisher, rogai por nós!

Perguntas frequentes sobre São Tomás More e São João Fisher

Quando é o dia de São Tomás More e São João Fisher?

A memória facultativa dos dois mártires é celebrada em 22 de junho, data da decapitação de João Fisher em 1535. Tomás More foi executado duas semanas depois, em 6 de julho.

Por que Tomás More e João Fisher foram executados?

Por se recusarem a reconhecer Henrique VIII como chefe supremo da Igreja na Inglaterra e a validar a anulação de seu casamento, permanecendo fiéis à comunhão com o Papa.

De que São Tomás More é padroeiro?

São João Paulo II o proclamou, no ano 2000, padroeiro dos governantes e dos políticos. É invocado também por advogados, juízes e por pais de família.

O que é a “Utopia” de Tomás More?

É a obra literária mais famosa de More, publicada em 1516: descreve uma ilha imaginária de sociedade ideal e deu origem à própria palavra “utopia” nas línguas modernas.


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