São José de Anchieta, celebrado em 9 de junho, é conhecido como o “Apóstolo do Brasil”. Jesuíta nascido nas Ilhas Canárias, dedicou 43 anos à evangelização dos povos indígenas, foi um dos fundadores de São Paulo e do Rio de Janeiro e escreveu a primeira gramática da língua tupi. Foi canonizado pelo Papa Francisco em 2014.
Ficha rápida de São José de Anchieta
- Memória litúrgica: 9 de junho
- Grau: Memória (padroeiro do Brasil)
- Época: nasceu em 19 de março de 1534, em Tenerife (Ilhas Canárias); morreu em 9 de junho de 1597, em Reritiba (atual Anchieta, ES)
- Ordem/função: sacerdote da Companhia de Jesus (jesuíta); missionário
- Canonização: beatificado em 1980 por João Paulo II; canonizado em 2014 pelo Papa Francisco
- Patronato: catequistas e evangelizadores; venerado como Apóstolo do Brasil
Quem foi São José de Anchieta?
José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 na ilha de Tenerife, nas Canárias, então pertencentes à Espanha. Jovem de saúde frágil, mas de inteligência brilhante, estudou em Coimbra, em Portugal, onde entrou para a recém-fundada Companhia de Jesus em 1551, atraído pelo ideal missionário de Santo Inácio de Loyola.
Em 1553, aos dezenove anos, embarcou para o Brasil, integrando um grupo de jesuítas enviados a servir na jovem colônia. Apesar de um problema na coluna que o faria sofrer pelo resto da vida, lançou-se com entusiasmo à missão que ocuparia 43 anos de sua existência: anunciar o Evangelho aos povos indígenas e cuidar dos colonos, dos pobres e dos doentes.
Anchieta foi um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga, em 1554, ao redor do qual nasceria a cidade de São Paulo. Mais tarde teve papel decisivo na fundação e defesa do Rio de Janeiro. Homem de rara cultura, aprendeu a língua tupi e escreveu a primeira gramática desse idioma, ferramenta preciosa para a evangelização e para o entendimento entre povos.
Um dos episódios mais célebres de sua vida ocorreu em Iperoig, quando se ofereceu como refém dos índios tamoios para garantir a paz entre eles e os portugueses. Durante os meses de cativeiro, à beira do mar, teria composto na areia um extenso poema em latim dedicado à Virgem Maria, o “Poema à Bem-aventurada Virgem”, memorizando-o antes de escrevê-lo.
Foi ordenado sacerdote em 1566 e, em 1577, nomeado provincial dos jesuítas no Brasil. Escritor incansável, deixou cartas, poemas, hinos e autos teatrais em português, tupi, castelhano e latim, sendo considerado um dos primeiros nomes da literatura brasileira. Usava o teatro e a música como meios de catequese, ensinando a fé de modo próximo à cultura dos povos que evangelizava.
Depois de uma vida de entrega total, São José de Anchieta morreu em 9 de junho de 1597, em Reritiba, no Espírito Santo, hoje cidade que leva o seu nome. Foi beatificado por João Paulo II em 1980 e canonizado pelo Papa Francisco em 2014, sendo reconhecido como o Apóstolo do Brasil.
Legado e espiritualidade
São José de Anchieta é o grande evangelizador dos primórdios do Brasil. Sua vida uniu fé, cultura e serviço: aprendeu línguas, respeitou os povos, defendeu os fracos e anunciou Cristo com criatividade, mostrando que o Evangelho pode encontrar caminho em toda cultura.
Sua espiritualidade era profundamente mariana e apostólica. Devoto ardente de Nossa Senhora, uniu a contemplação à ação missionária, suportando doenças, viagens penosas e privações por amor às almas. Fez do próprio corpo frágil um instrumento incansável a serviço de Deus.
Anchieta deixou também um imenso legado cultural: a primeira gramática do tupi, obras literárias pioneiras e o uso do teatro na catequese fazem dele um marco na história do Brasil. Para as famílias brasileiras, é modelo de fé encarnada, que ama o próprio povo e trabalha por sua salvação e seu bem.
Inspiração para a nossa vida
- Evangelizar com criatividade: Anchieta usava teatro, poesia e música para ensinar a fé. Também nós podemos anunciar Cristo de modo próximo e atraente.
- Servir apesar das fraquezas: mesmo doente, ele se entregou por inteiro. Nossas limitações não impedem que façamos o bem com generosidade.
- Respeitar e amar as pessoas: aprendeu a língua e a cultura dos povos. Amar o próximo começa por conhecê-lo e respeitá-lo de verdade.
- Ser instrumento de paz: Anchieta arriscou-se como refém pela paz. Somos chamados a ser construtores de reconciliação em nossos ambientes.
- Confiar em Maria: devoto fervoroso, encontrou na Virgem força e consolo. Também nós podemos recorrer à Mãe em nossas provações.
Oração a São José de Anchieta
Ó São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, que deixastes vossa terra natal para anunciar Cristo aos povos desta nação e vos gastastes por inteiro no serviço dos pobres e dos indígenas, alcançai-nos amor à nossa fé e zelo por transmiti-la. Ensinai-nos a servir apesar das fraquezas, a respeitar cada pessoa e a ser construtores de paz. Protegei o Brasil e as nossas famílias. Amém.
São José de Anchieta, rogai por nós!
Perguntas frequentes sobre São José de Anchieta
Quando é o dia de São José de Anchieta?
Sua memória litúrgica é celebrada em 9 de junho, data de sua morte, ocorrida em 1597, em Reritiba, hoje a cidade de Anchieta, no Espírito Santo.
Por que é chamado Apóstolo do Brasil?
Porque dedicou 43 anos à evangelização dos povos do Brasil colonial, catequizando indígenas, fundando missões e colégios e participando da fundação de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Quando São José de Anchieta foi canonizado?
Foi beatificado por João Paulo II em 1980 e canonizado pelo Papa Francisco em 2014, por meio da chamada canonização equipolente, que reconhece o culto antigo e a fama de santidade.
Qual a importância cultural de Anchieta?
Escreveu a primeira gramática da língua tupi e foi um dos primeiros poetas e dramaturgos ligados à história do Brasil, usando o teatro e a poesia como instrumentos de catequese e educação.
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