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São Lázaro — 17 de dezembro: o amigo que Jesus ressuscitou

São Lázaro de Betânia, o amigo que Jesus ressuscitou, celebrado em 17 de dezembro. História bíblica, tradições sobre sua vida de bispo e oração.

Por Nossa Sagrada Família

Pintura de São Lázaro, homem idoso de barba, com feridas, apoiado em um bastão junto a uma igreja
Pintura de São Lázaro, homem idoso de barba, com feridas, apoiado em um bastão junto a uma igreja

São Lázaro de Betânia, o amigo a quem Jesus ressuscitou dos mortos, é lembrado pela Igreja em 17 de dezembro. Irmão de Marta e Maria, foi personagem do maior sinal narrado no Evangelho de João. A tradição o venera como testemunha da vitória de Cristo sobre a morte e, mais tarde, como bispo e evangelizador. Sua história alimenta a esperança cristã na ressurreição.

Ficha rápida de São Lázaro

  • Memória litúrgica: 17 de dezembro (algumas tradições também o recordam em 29 de julho, com Marta e Maria)
  • Grau: comemoração
  • Época: século I, Betânia, próximo a Jerusalém
  • Função: amigo de Jesus; segundo a tradição, bispo e evangelizador
  • Fonte: Evangelho de João, capítulo 11; tradições da Igreja antiga
  • Patronato: invocado pelos doentes e por quem chora seus mortos; símbolo da esperança na ressurreição

Quem foi São Lázaro?

Lázaro viveu em Betânia, pequena aldeia a poucos quilômetros de Jerusalém, junto com suas irmãs Marta e Maria. Os Evangelhos apresentam essa casa como um lugar de amizade e hospitalidade, onde Jesus era acolhido com carinho. O próprio texto sagrado afirma que “Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro”, revelando um laço de afeto profundo.

O episódio central da sua vida está no capítulo 11 do Evangelho de João. Estando Lázaro gravemente enfermo, as irmãs mandaram avisar Jesus. Ele, porém, demorou-se de propósito, e quando chegou a Betânia, Lázaro já estava sepultado havia quatro dias. Diante do túmulo, o Evangelho registra o versículo mais curto da Bíblia: “Jesus chorou”, mostrando a humanidade do Senhor diante da dor da perda.

Depois de consolar Marta com a promessa “Eu sou a ressurreição e a vida”, Jesus mandou remover a pedra e, em alta voz, ordenou: “Lázaro, vem para fora”. O morto de quatro dias saiu do túmulo ainda envolto nas faixas. Esse grande sinal levou muitos a crer, mas também precipitou a decisão das autoridades de condenar Jesus à morte.

A ressurreição de Lázaro é o último e maior dos sinais narrados por João antes da Paixão. Ela antecipa e prefigura a própria ressurreição de Cristo, mostrando que Ele tem poder sobre a morte e que a fé n’Ele é caminho de vida. Não por acaso a Igreja proclama esse Evangelho na Quaresma, preparando os fiéis para a Páscoa.

Sobre o destino posterior de Lázaro, existem tradições antigas e diversas. A mais difundida no Ocidente conta que ele, com Marta e Maria, teria chegado às costas da Provença, no sul da França, tornando-se o primeiro bispo de Marselha, onde teria selado com o martírio o seu testemunho. Outra tradição, oriental, afirma que Lázaro foi para Chipre, tornando-se bispo de Kition (atual Lárnaca).

A Igreja acolhe essas tradições com prudência, sem exigir delas certeza histórica absoluta, mas reconhecendo nelas o eco de uma devoção antiquíssima. O essencial permanece firme: Lázaro é a testemunha viva de que Cristo é senhor da vida e da morte, e sua figura tornou-se sinal de esperança para todos os que creem.

Legado e espiritualidade

A ressurreição de Lázaro é uma das cenas mais representadas na arte cristã, desde as catacumbas romanas. Ela consola gerações de fiéis diante do luto, lembrando que a última palavra não é do túmulo, mas de Cristo, que chama cada um pelo nome para fora da morte.

A amizade de Jesus com aquela família de Betânia inspira a espiritualidade do acolhimento e da intimidade com o Senhor. Marta serve, Maria escuta, Lázaro é amado: cada um vive de modo próprio a relação com Cristo, oferecendo um modelo para as famílias que desejam abrir a casa a Deus.

Nas tradições posteriores, Lázaro aparece como evangelizador e pastor, o que reforça a lógica cristã: quem experimenta a misericórdia é enviado a anunciá-la. Aquele que foi arrancado da morte torna-se, na memória da Igreja, arauto da vida nova em Cristo.

Inspiração para a nossa vida

1. Confiar mesmo quando Deus parece demorar. Jesus só chegou depois de quatro dias, mas trouxe algo maior do que a cura. Também em nossa vida, os atrasos aparentes de Deus podem esconder um bem maior que ainda não vemos.

2. Abrir a casa a Cristo. A família de Betânia acolhia Jesus com amizade. Nossas casas se tornam santuários quando há oração, hospitalidade e espaço para o Senhor no meio das tarefas do dia.

3. Chorar sem perder a esperança. Jesus chorou diante do túmulo do amigo. É humano e santo sofrer com a perda; a fé não anula a dor, mas a ilumina com a promessa da ressurreição.

4. Deixar-se libertar das faixas. Lázaro saiu ainda amarrado, e Jesus disse: “desatai-o”. Muitas vezes precisamos que o Senhor e a comunidade nos ajudem a nos libertar do que ainda nos prende à morte espiritual.

5. Testemunhar a vida recebida. Quem foi tocado pela graça é chamado a anunciá-la. Nossa própria história de perdão e reerguimento pode fortalecer a fé de quem está ao nosso redor.

Oração a São Lázaro

Senhor Jesus, que chorastes diante do túmulo do vosso amigo Lázaro e o chamastes de volta à vida, aumentai a nossa fé na ressurreição e consolai todos os que choram a perda de quem amam.

Por intercessão de São Lázaro, dai-nos ouvir a vossa voz que nos chama para fora de toda morte, e livrai-nos das faixas do pecado e do desânimo, para que caminhemos na vida nova que só Vós podeis dar. Amém.

São Lázaro, rogai por nós!

Perguntas frequentes sobre São Lázaro

Quando é o dia de São Lázaro?

A Igreja recorda São Lázaro de Betânia em 17 de dezembro; algumas tradições também o celebram em 29 de julho, junto com suas irmãs Marta e Maria.

Quem foi São Lázaro?

Foi o amigo de Jesus, irmão de Marta e Maria, morador de Betânia, a quem o Senhor ressuscitou depois de quatro dias no túmulo, conforme o Evangelho de João.

O que aconteceu com Lázaro depois da ressurreição?

As tradições divergem: uma afirma que se tornou bispo de Marselha, na França, e ali foi martirizado; outra, que foi bispo de Kition, em Chipre. A Igreja acolhe essas memórias com prudência.

Não confundir com quem?

Este é Lázaro de Betânia, amigo de Jesus, e não Lázaro, o mendigo da parábola do rico e do pobre (Lucas 16), que é personagem simbólico de outro ensinamento do Senhor.


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