São Charbel Makhlouf (1828–1898) é o monge eremita libanês conhecido no mundo inteiro pelos milagres de cura atribuídos à sua intercessão. Viveu 23 anos em silêncio absoluto num eremitério da montanha, e depois de sua morte seu corpo exalou uma luz vista à distância e um líquido que não cessava. É celebrado pela Igreja em 24 de julho.
Ficha rápida de São Charbel
- Memória litúrgica: 24 de julho
- Nome de batismo: Youssef Antoun Makhlouf
- Nascimento e morte: Beqaa Kafra, Líbano, 1828 — Annaya, 1898
- Rito: católico maronita
- Vida: monge da Ordem Libanesa Maronita e eremita por 23 anos
- Canonização: por Paulo VI, em 1977
- Invocado: pela cura de doenças e pela conversão
Quem foi São Charbel?
Youssef Makhlouf nasceu numa aldeia pobre das montanhas do Líbano, o caçula de cinco filhos. Perdeu o pai aos três anos. Desde menino cuidava do rebanho e desaparecia para rezar numa gruta próxima — hábito que os vizinhos estranhavam e que já anunciava o eremita.
Aos 23 anos deixou a casa sem avisar a mãe e entrou no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfouk, recebendo o nome de Charbel, um mártir do século II. Foi ordenado sacerdote em 1859 e viveu dezesseis anos no mosteiro de São Marón, em Annaya.
Em 1875 obteve permissão para viver no eremitério dos Santos Pedro e Paulo, na montanha acima do mosteiro. Ali passou os últimos 23 anos: dormia sobre uma tábua, comia uma refeição por dia, trabalhava a terra e celebrava a Missa com uma concentração que impressionava quem o via.
A morte e o fenômeno de Annaya
Em 16 de dezembro de 1898, São Charbel teve um derrame enquanto celebrava a Missa, ao erguer a hóstia. Morreu na véspera de Natal, repetindo as palavras que rezava no altar.
Nos meses seguintes, uma luz intensa foi vista sobre o seu túmulo — relatada por moradores e viajantes a quilômetros de distância. Quando o corpo foi exumado, encontraram-no incorrupto e exsudando um líquido avermelhado que continuou por décadas. As roupas precisavam ser trocadas com frequência.
Foi então que começaram os relatos de cura. Milhares de pessoas — católicas, ortodoxas e muçulmanas — subiram a montanha de Annaya. O santuário recebe peregrinos até hoje.
Os milagres de cura de São Charbel
Entre os casos reconhecidos pela Igreja no processo de canonização está o de Maria Abel Kamari, religiosa que sofria de uma doença grave do aparelho digestivo e foi curada instantaneamente após rezar em seu túmulo. Outro caso célebre é o de Nohad El Shami, curada em 1993 de uma paralisia — e que relatou ter visto dois monges à sua cabeceira durante a noite.
A Igreja é sempre prudente ao reconhecer milagres: cada caso passa por exame médico rigoroso. Mas o que atrai multidões a Annaya não é a estatística — é a confiança de que existe alguém intercedendo diante de Deus por quem sofre.
Oração a São Chárbel pela cura
São Charbel, monge do silêncio e amigo de Deus,
vós que na solidão da montanha encontrastes o Senhor,
e por vossas mãos Ele continua curando os que sofrem:
olhai para mim e para as pessoas que amo.
Alcançai-nos a cura do corpo, se for da vontade de Deus,
e sobretudo a cura do coração e a paz da alma.
Ensinai-nos o valor do silêncio, da simplicidade e da oração.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Perguntas frequentes sobre São Charbel
Quando é o dia de São Charbel?
A festa de São Charbel é celebrada em 24 de julho. No Líbano, o terceiro domingo de julho também é dedicado a ele.
Por que São Charbel é conhecido pelas curas?
Desde sua morte em 1898, milhares de curas foram atribuídas à sua intercessão, muitas delas examinadas nos processos de beatificação e canonização. O santuário de Annaya, no Líbano, guarda registros e testemunhos desses casos.
São Charbel é santo católico?
Sim. Pertence à Igreja Católica Maronita, uma das Igrejas orientais em plena comunhão com Roma. Foi canonizado por Paulo VI em 1977.
Como rezar a São Charbel?
Muitos fiéis rezam a novena de São Charbel, acompanhada de jejum às sextas-feiras, como ele próprio praticava. Uma oração simples e confiante, feita com fé, já é caminho suficiente.
O corpo de São Charbel está incorrupto?
Durante décadas após sua morte, o corpo permaneceu incorrupto e exsudava um líquido, fenômeno documentado por médicos e religiosos. A partir de 1965 o corpo passou a apresentar decomposição normal, restando os ossos, hoje venerados em Annaya.
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