Hoje a Igreja celebra o nascimento de Maria — a única criatura cujo nascimento é celebrado como festa litúrgica (além do de Jesus e de São João Batista). Por que o nascimento de uma menina numa aldeia da Galileia é festa universal da Igreja? O que ele significa?
Hoje, 8 de setembro — Festa da Natividade de Nossa Senhora. Uma das festas marianas mais antigas do calendário cristão — celebrada em Roma desde pelo menos o século VII — e uma das que mais revelam sobre o papel de Maria no plano de Deus.
A Liturgia da Igreja celebra o nascimento de apenas três pessoas: Jesus (25 de dezembro), João Batista (24 de junho) e Maria (8 de setembro). Essa exclusividade é teologicamente eloquente — afirma que esses três nascimentos são momentos da história da salvação, não apenas episódios biográficos.
Por que celebrar o nascimento de Maria
O nascimento de Maria é festa porque Maria não é uma personagem secundária na história da salvação. É a criatura mais importante da história depois de Cristo — aquela cuja cooperação foi indispensável para que a Encarnação acontecesse.
Quando Maria nasceu em Nazaré — ou em Jerusalém, segundo outra tradição —, o mundo não sabia ainda. Joaquim e Ana não sabiam ainda. Mas Deus já sabia que aquela menina seria a porta pela qual Ele mesmo entraria na história humana.
O Catecismo afirma: “A Virgem Maria é reconhecida e venerada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor (…). Dotada dos dons de uma graça tão sublime, e unida ao Filho pelo laço íntimo e indissolúvel, ela enriquece com a herança suprema de toda mãe humana o ofício de advogada, de auxiliadora, de socorro e de mediadora” (CCC 969).
O nascimento que preparou o nascimento
A Natividade de Maria é inseparável da Natividade de Jesus — não apenas temporalmente (setembro precede dezembro), mas teologicamente. O nascimento de Maria foi a preparação próxima, humana, para o nascimento de Cristo.
Sem Maria — sem uma mulher que dissesse “faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38) com liberdade plena e amor total —, a Encarnação não teria acontecido do modo que aconteceu. A Encarnação não foi uma operação divina que prescindiu da cooperação humana — foi um diálogo entre Deus e uma criatura humana livre.
E essa criatura humana livre era uma menina que havia nascido exatamente para esse momento — formada desde o ventre de Ana para a missão mais extraordinária que uma criatura humana já recebeu.
Gabriel e Maria — a conexão com o mês dos arcanjos
Em setembro, o mês dos arcanjos, a Natividade de Nossa Senhora tem uma ressonância especial. O mesmo Gabriel que anunciará a Maria a Encarnação — décadas depois desta festa que hoje celebramos — já atuava na história que conduzia a esse momento.
A obediência de Maria na Anunciação não foi um fiat espontâneo — foi o fruto de uma vida inteira de formação na fé de Israel, de escuta da Palavra de Deus, de disponibilidade interior. Esse fruto tinha raízes no nascimento que hoje celebramos — e nos pais que a formaram.
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Feliz Natividade de Nossa Senhora! “Bendita és tu entre as mulheres.” — Lc 1,42. Salve, Maria — desde o primeiro dia!

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