Nossa Senhora da Mercê é celebrada em 24 de setembro e sua devoção nasceu de uma obra muito concreta: resgatar cristãos mantidos cativos. A ordem fundada em Barcelona em 1218 acrescentava aos três votos religiosos um quarto, inédito: o de permanecer como refém no lugar de um cativo, quando o dinheiro do resgate não bastasse.
O contexto
No século XIII, o Mediterrâneo ocidental era território de conflito constante, e a captura de pessoas para servidão ou para resgate fazia parte da economia da região. Milhares de cristãos, sobretudo gente pobre do litoral, viviam cativos no norte da África e no sul da península.
Famílias inteiras se arruinavam tentando juntar o valor do resgate de um parente. Quem não tinha quem pagasse, ficava.
A fundação da ordem
Em 1218, em Barcelona, Pedro Nolasco fundou a Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria das Mercês, com o apoio do rei Jaime I de Aragão e de Raimundo de Peñafort, jurista e depois santo. A palavra mercê, em catalão e castelhano antigo, significa misericórdia e também favor concedido.
A originalidade estava no quarto voto. Além de pobreza, castidade e obediência, os religiosos se comprometiam a entregar-se como reféns no lugar de um prisioneiro se o resgate não fosse suficiente. Não era retórica: há registros de religiosos que passaram anos cativos por essa troca.
A ordem organizou uma logística de redenção que percorria portos, negociava valores, recolhia esmolas nas paróquias e mantinha contabilidade dos resgates. Estima-se que tenham libertado dezenas de milhares de pessoas ao longo dos séculos.
A representação
Nossa Senhora da Mercê costuma ser representada de branco, com o escapulário da ordem, e frequentemente com correntes ou grilhões rompidos nas mãos ou aos pés. Em algumas imagens ela abre o manto para acolher os cativos, seguindo o modelo antigo da Virgem da Misericórdia.
As correntes partidas são o elemento que identifica a devoção e resumem a obra que a originou.
A devoção hoje
Nossa Senhora da Mercê é padroeira de Barcelona e da República Dominicana, e sua devoção é forte em toda a América hispânica e também no Brasil, onde dá nome a paróquias, irmandades e a cidades.
Com o fim do cativeiro que motivou a fundação, a ordem mercedária redirecionou o carisma para outras formas de privação de liberdade, com trabalho em presídios e junto a pessoas em situação de dependência e de exploração.
A oração do dia
A oração própria desta memória é a coleta da missa de 24 de setembro, no formulário de Nossa Senhora das Mercês, e integra o próprio da Ordem Mercedária. Ela está no Missal e nos folhetos litúrgicos do dia; a sua paróquia pode fornecê-la.
Quando se celebra
A memória é celebrada em 24 de setembro. No calendário geral é memória facultativa; em Barcelona, na Ordem Mercedária e nos lugares em que é padroeira, é solenidade.
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