O presépio se monta tradicionalmente no primeiro domingo do Advento, com a manjedoura vazia. O Menino é colocado só na noite de 24 de dezembro, e os Reis Magos chegam em 6 de janeiro. Montar aos poucos, seguindo o calendário, é o que transforma a peça em catequese em vez de decoração.
De onde vem o presépio
A cena tem origem datada. No Natal de 1223, em Greccio, na Itália, São Francisco de Assis pediu autorização ao Papa para reproduzir o nascimento de Jesus com uma manjedoura, feno e animais vivos, para que o povo pudesse ver com os próprios olhos a pobreza em que Cristo nasceu.
A intenção era pedagógica, não decorativa. Francisco queria que as pessoas entendessem, pelo olhar, o que os sermões não conseguiam transmitir. A prática se espalhou rapidamente e chegou ao Brasil com os portugueses.
Quando montar
A tradição indica o primeiro domingo do Advento, quatro semanas antes do Natal, que marca o início do ano litúrgico.
Nessa primeira montagem, a manjedoura fica vazia. É um detalhe pequeno com efeito grande, sobretudo com crianças: o Advento passa a ser um tempo de espera visível dentro de casa.
O presépio permanece montado até a festa do Batismo do Senhor, celebrada no domingo seguinte a 6 de janeiro, que encerra o tempo do Natal. Desmontar no dia 26 de dezembro é antecipar o fim de um tempo que a Igreja ainda está vivendo.
Quem entra na cena
As figuras essenciais
Maria e José, junto à manjedoura. O Menino Jesus, que entra na noite de 24. O boi e o jumento, que não aparecem no Evangelho e vêm da tradição, a partir de uma leitura de Isaías 1,3. A manjedoura com palha.
As que chegam depois
Os pastores e as ovelhas, que no Evangelho de Lucas são os primeiros a receber o anúncio, entram na noite de Natal ou logo depois.
O anjo, geralmente posicionado acima da cena ou na entrada da gruta.
Os Reis Magos chegam em 6 de janeiro, na Epifania. A prática antiga, e boa com crianças, é começá-los longe da manjedoura, em outro cômodo ou no outro extremo do móvel, e aproximá-los um pouco a cada dia. Eles vieram de longe, e a cena pode mostrar isso.
A ordem de montagem
Primeiro domingo do Advento: a estrutura, a manjedoura vazia, Maria, José, o boi e o jumento.
Ao longo do Advento: os pastores se aproximam, os Magos avançam de longe.
Noite de 24 de dezembro: o Menino é colocado na manjedoura, de preferência por uma criança da casa, antes ou depois da ceia.
6 de janeiro: os Magos chegam à cena.
Onde colocar
Num lugar por onde a casa passa, e não num canto decorativo. Sala, entrada e mesa de jantar funcionam bem. O presépio precisa ser visto todos os dias para cumprir o que faz.
Se houver crianças pequenas, monte numa altura que elas alcancem. Presépio que a criança pode tocar e mover é presépio que ela entende, e as peças de resina resistem melhor a esse manuseio do que as de gesso.
Evite proximidade com velas acesas se houver palha ou feno, e evite sol direto sobre as peças.
Escolher o presépio
Tamanho. Meça a superfície antes. O erro mais comum é comprar peças grandes demais para o aparador, e o presépio apertado perde a leitura da cena.
Peças soltas ou conjunto fechado. As soltas permitem a montagem gradual descrita acima e permitem acrescentar figuras ao longo dos anos, o que muitas famílias fazem. O conjunto fechado ou iluminado resolve de uma vez e é prático em casa pequena.
Material. A resina resiste ao manuseio e é a escolha mais prática para casa com criança.
Uma bênção para a noite da montagem
Senhor, abençoai este presépio e esta casa. Que, ao olharmos para esta cena, nos lembremos de que vos fizestes pequeno para ficar perto de nós, e que a nossa família aprenda a receber quem chega. Amém.
Oração simples para rezar em família na montagem. A bênção própria do presépio está no Ritual de Bênçãos e é dada pelo sacerdote ou diácono.
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