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O que é uma indulgência plenária

Indulgência não perdoa pecado nem se compra. O que a Igreja realmente ensina, a diferença entre culpa e pena, e as quatro condições exigidas.

Por Nossa Sagrada Família

Confessionário de madeira vazio em igreja antiga, com luz entrando pela janela lateral

Indulgência é a remissão da pena temporal por pecados que já foram perdoados quanto à culpa. Ela não perdoa pecado, não substitui a confissão e não se compra. Para ganhar uma indulgência plenária a Igreja exige quatro condições: confissão sacramental, comunhão eucarística, oração pelas intenções do Papa e desapego de todo pecado, inclusive venial.

A distinção que explica tudo: culpa e pena

Sem entender essa diferença, o assunto fica incompreensível.

Todo pecado tem duas consequências. A primeira é a culpa, a ruptura com Deus, que é perdoada na confissão. A segunda é a pena, ou seja, o dano que o pecado deixou: em quem o cometeu, nos outros e no mundo. Essa segunda parte não desaparece automaticamente com o perdão.

O Catecismo usa uma comparação simples: o pecado deixa um apego desordenado às criaturas, que precisa ser purificado (CIC 1472). Uma imagem que ajuda: quem quebra a janela do vizinho e pede desculpas sinceras é perdoado, e a janela continua quebrada.

A indulgência trata dessa segunda parte, e só dela.

A definição oficial

“A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel devidamente disposto obtém, sob certas condições determinadas, pela ação da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica com autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos.” (CIC 1471)

É parcial quando remite parte dessa pena, e plenária quando a remite inteiramente. E pode ser aplicada a si mesmo ou aos fiéis já falecidos (CIC 1471-1479).

As quatro condições da indulgência plenária

As condições são exigentes, e é justamente por serem exigentes que a plenária não é algo trivial de se obter.

1. Realizar a obra indulgenciada. A Igreja determina quais obras trazem indulgência: por exemplo, a adoração ao Santíssimo por pelo menos meia hora, a leitura orante da Escritura por pelo menos meia hora, o Via-Sacra, o terço rezado em igreja ou em família.

2. Confissão sacramental. Uma única confissão pode servir para várias indulgências plenárias, desde que próxima no tempo.

3. Comunhão eucarística. Esta é requerida para cada indulgência plenária.

4. Oração pelas intenções do Papa. Um Pai-Nosso e uma Ave-Maria bastam.

E há a condição que é a mais difícil de todas: a exclusão de todo apego ao pecado, mesmo venial. Se essa disposição faltar, a indulgência é apenas parcial. Não é uma formalidade a marcar numa lista; é uma disposição real do coração, e por isso ninguém pode ter certeza aritmética de tê-la obtido.

O que a indulgência não é

Não perdoa pecado. O perdão da culpa vem da confissão. A indulgência supõe que o pecado já foi perdoado.

Não se compra. O comércio de indulgências foi um abuso real, praticado sobretudo no fim da Idade Média, e foi um dos estopins da Reforma. A própria Igreja o condenou: o Concílio de Trento proibiu expressamente qualquer cobrança e determinou a extinção dos ofícios ligados a essa arrecadação. Hoje, qualquer cobrança por indulgência é falta grave.

Não é passe livre para pecar depois. A condição de desapego de todo pecado exclui, por definição, quem pretende continuar.

Não é contabilidade de dias. As antigas fórmulas que falavam em indulgência de trezentos dias nunca significaram dias a menos de purgatório; referiam-se à antiga disciplina penitencial. Em 1967, Paulo VI reformou a matéria na constituição Indulgentiarum doctrina e retirou essas quantificações.

Onde encontrar a lista das obras

A referência oficial é o Manual das Indulgências, publicado pela Penitenciaria Apostólica, que reúne as concessões vigentes. Ele existe em edição brasileira e costuma estar disponível nas paróquias e nas livrarias católicas.

Para além das obras gerais, indulgências são concedidas em ocasiões específicas: Anos Santos, jubileus, festas de determinados santuários e datas como a Porciúncula, em 2 de agosto, ou a visita ao cemitério nos primeiros dias de novembro.

Por que a Igreja mantém essa prática

Porque ela expressa a comunhão dos santos. A ideia de fundo é que os fiéis não estão sozinhos: o bem realizado por Cristo e pelos santos beneficia toda a Igreja, e essa solidariedade pode ser aplicada aos vivos e aos mortos (CIC 1474-1477).

É também por isso que a indulgência pode ser oferecida por um falecido, prática comum nas famílias brasileiras em novembro.

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Perguntas frequentes

O que é indulgência plenária?
A remissão total da pena temporal devida por pecados já perdoados quanto à culpa, obtida sob condições determinadas pela Igreja (CIC 1471).
Indulgência perdoa pecado?
Não. O perdão da culpa vem da confissão sacramental. A indulgência trata da pena temporal que permanece depois do perdão.
Quais são as condições para ganhar uma indulgência plenária?
Realizar a obra indulgenciada, confessar-se, comungar, rezar pelas intenções do Papa e não ter apego a nenhum pecado, nem venial.
Ainda se vende indulgência?
Não, e nunca foi doutrina. O comércio foi um abuso condenado pelo Concílio de Trento, que proibiu qualquer cobrança.
Posso oferecer uma indulgência por um falecido?
Sim. A indulgência pode ser aplicada a si mesmo ou aos fiéis já falecidos (CIC 1471).

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