Consagrar-se a Nossa Senhora é entregar a ela a própria vida para que ela a conduza a Cristo. Não é adorar Maria nem colocá-la no lugar de Deus: a consagração mariana é sempre uma consagração a Cristo feita pelas mãos dela. A forma mais difundida segue São Luís Maria Grignion de Montfort e supõe 33 dias de preparação.
O que a palavra significa
Consagrar é separar algo para Deus. A palavra tem peso litúrgico: consagra-se um altar, uma igreja, uma vida religiosa.
No caso da consagração mariana, o que se entrega é a própria pessoa, com o que ela tem e o que ela faz, pedindo que Maria disponha disso como quiser diante de Deus. A lógica é a de quem confia a alguém mais experiente a condução de um caminho que não sabe percorrer sozinho.
O que ela não é
Este ponto é o que mais gera mal-entendido, inclusive entre católicos.
Não substitui o batismo. A consagração fundamental do cristão é o batismo, que o une a Cristo. A consagração mariana é uma renovação consciente desses compromissos, feita por escolha do adulto.
Não coloca Maria no lugar de Cristo. O Concílio Vaticano II foi explícito ao tratar da relação entre Maria e a única mediação de Cristo: a função materna dela para com os homens “não obscurece nem diminui de modo algum esta única mediação de Cristo, mas mostra a sua eficácia” (Lumen Gentium 60).
Não é contrato. Não há garantia de resultado, nem obrigação criada sobre Deus. Quem se consagra assume um compromisso; não adquire um direito.
De onde vem a forma mais conhecida
São Luís Maria Grignion de Montfort, sacerdote francês do século XVII e início do XVIII, escreveu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, obra que ficou perdida por mais de cem anos e foi encontrada em 1842.
É dele a expressão que resume a devoção: a Jesus por Maria. E é dele o método dos 33 dias de preparação, seguido de consagração no trigésimo quarto.
São João Paulo II atribuía a essa leitura uma virada na própria vida espiritual, e dela tirou o lema do seu pontificado, Totus tuus, todo teu.
Os 33 dias
A preparação clássica divide-se em quatro etapas, e o sentido de cada uma é progressivo.
Doze dias iniciais para desapegar-se do espírito do mundo, ou seja, para examinar honestamente do que a vida está feita.
Sete dias de conhecimento de si mesmo, os mais duros da série.
Sete dias de conhecimento de Maria.
Sete dias de conhecimento de Jesus Cristo, para onde tudo converge.
No trigésimo quarto dia faz-se a consagração, de preferência numa festa mariana. As datas mais escolhidas são 8 de dezembro, Imaculada Conceição; 12 de outubro, Aparecida, no Brasil; 15 de agosto, Assunção; e 25 de março, Anunciação.
Como se preparar na prática
Escolha a data da consagração primeiro e conte 33 dias para trás. Sem data marcada, a preparação não começa.
Use um roteiro impresso. Existem edições do método de Montfort com as leituras de cada dia; várias editoras católicas brasileiras publicam.
Confesse-se e comungue no dia da consagração. A consagração não é sacramento, mas a tradição recomenda fazê-la em estado de graça e ligada à Eucaristia.
Escreva o ato de consagração à mão e guarde. Muita gente relê anos depois e renova.
Depois da consagração
O que muda não é o status de quem se consagrou, e sim a rotina. A tradição recomenda renovar o ato periodicamente — muitos renovam todos os anos na mesma data — e manter alguma prática mariana diária, geralmente o terço.
Se você não conseguir os 33 dias agora, uma alternativa honesta é começar por uma consagração simples, rezada em família diante do oratório, e fazer a preparação completa quando for possível.
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