Hoje a Igreja celebra a maior festa de esperança do calendário cristão — Todos os Santos. Não os santos canonizados apenas, mas a multidão incontável de todos que amaram Deus com fidelidade e que agora O contemplam face a face. O que essa festa revela sobre o nosso destino?
Hoje, 1º de novembro — Solenidade de Todos os Santos. A festa que ontem preparamos, a que a véspera do Halloween faz sombra mas não ofusca, a que a Igreja celebra com alegria solene desde pelo menos o século IV.
Uma festa que não é triste — é a mais alegre do ano depois da Páscoa. Porque celebra a vitória. A chegada. O destino cumprido de todos que amaram Deus e que agora estão na plenitude para a qual foram criados.
Quem são “todos os santos”
A Solenidade de Todos os Santos não é apenas a festa coletiva dos santos canonizados — dos que têm imagem, novena e dia no calendário. É a festa de todos — a multidão incontável de pessoas comuns que viveram, sofreram, amaram e perseveraram na fé, e que agora contemplam Deus face a face, mesmo que nunca tenham sido canonizadas por nenhum papa.
São os avós que rezavam o Rosário todos os dias sem que ninguém soubesse. As mães que ofereceram anos de silêncio e de serviço. Os que morreram na fé sem que a História os registrasse. Os mártires anônimos. As crianças que morreram cedo. Os que viveram longe de qualquer holofote e amaram Deus com fidelidade invisível.
Todos esses — a multidão que o Apocalipse descreve como “que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap 7,9) — são celebrados hoje.
As bem-aventuranças — o programa dos santos
A liturgia de Todos os Santos lê o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12) — o texto que Jesus colocou no início do Sermão da Montanha como programa de vida. E não é coincidência: as bem-aventuranças são exatamente a descrição do perfil dos santos.
“Felizes os pobres em espírito (…). Felizes os mansos (…). Felizes os que choram (…). Felizes os que têm fome e sede de justiça (…). Felizes os misericordiosos (…). Felizes os puros de coração (…). Felizes os que promovem a paz (…). Felizes os que são perseguidos por causa da justiça.”
Cada bem-aventurança é um traço de santidade — não a santidade de mármore dos museus, mas a santidade viva, encarnada, muitas vezes sofrida, dos que viveram o Evangelho com seriedade.
O que Todos os Santos celebra — e o que promete
A festa celebra o que já aconteceu para muitos — e promete o que ainda está por acontecer para cada um de nós. O destino que celebramos hoje nos santos é o destino para o qual fomos criados: a contemplação de Deus face a face, a plenitude do amor que nesta vida só se vislumbra parcialmente.
São João escreve: “Amados, somos desde agora filhos de Deus, mas o que seremos ainda não se manifestou. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1Jo 3,2).
Esse é o destino. Hoje celebramos quem chegou. E nos lembramos de que o caminho que eles percorreram — imperfeito, longo, às vezes doloroso — é o mesmo que percorremos.
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“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus.” — Mt 5,3.

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