Os paramentos litúrgicos principais são a alva, o cíngulo, a estola e a casula, usados pelo sacerdote, e a dalmática, própria do diácono. As cores seguem o tempo litúrgico: branco, vermelho, verde, roxo, e em ocasiões particulares o rosa e o dourado. Cada peça tem origem histórica e sentido próprio.
De onde vêm os paramentos
Não foram inventados para a liturgia. São, na origem, roupas civis do mundo romano tardio que a Igreja conservou depois que a moda mudou.
A alva era a túnica comum; a casula, um manto de viagem que cobria o corpo inteiro. Enquanto todos vestiam assim, o ministro não se distinguia. Quando a sociedade passou a usar outras roupas, a Igreja manteve as antigas para a celebração, e o que era comum virou sinal.
As peças, uma a uma
Alva
A túnica branca comprida que cobre o corpo todo. Do latim alba, branca. Remete à veste do batismo e às vestes brancas dos que estão diante do trono no Apocalipse. É usada por sacerdotes, diáconos e também por acólitos e coroinhas.
Cíngulo
O cordão que aperta a alva na cintura. Além da função prática de ajustar a veste, a tradição o associa à sobriedade e ao domínio de si.
Estola
A faixa que desce sobre os ombros. É o sinal distintivo do ministro ordenado e a peça que diferencia os graus: o bispo e o presbítero a usam pendente sobre os dois ombros; o diácono a usa cruzada sobre o ombro esquerdo, presa do lado direito. Quem sabe olhar identifica de longe quem está celebrando e em que grau.
Casula
A veste externa do sacerdote na missa, colocada sobre a alva e a estola. Do latim casula, casinha, porque na forma antiga envolvia inteiramente quem a vestia. É a peça que carrega a cor do dia.
Dalmática
A veste própria do diácono na missa solene, de mangas largas, usada sobre a alva e a estola diaconal.
Outras peças
O pluvial, ou capa de asperges, é usado em bênçãos, procissões e na Liturgia das Horas solene. O véu umeral cobre os ombros e as mãos de quem segura o ostensório na bênção do Santíssimo. A mitra e o báculo são insígnias do bispo.
As cores litúrgicas
Branco
Alegria e glória. Usado no Natal e na Páscoa, nas festas do Senhor que não sejam da Paixão, nas festas de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos não mártires. Também nas missas de casamento e nas exéquias, no uso brasileiro.
Vermelho
Sangue e fogo. Domingo de Ramos e Sexta-feira Santa, Pentecostes, festas dos apóstolos e evangelistas, e celebrações dos mártires. Também na Crisma, pelo fogo do Espírito.
Verde
Esperança e caminhada. É a cor do Tempo Comum, o mais longo do ano, aquele em que a Igreja percorre a vida pública de Jesus sem festa particular.
Roxo
Penitência e espera. Advento e Quaresma, e também as celebrações pelos fiéis defuntos, quando não se usa o branco.
Rosa
Usado apenas duas vezes no ano, e facultativamente: no terceiro domingo do Advento, chamado Gaudete, e no quarto da Quaresma, chamado Laetare. Os dois nomes significam alegrai-vos: é o roxo que clareia porque a festa está perto.
Dourado
Pode substituir o branco, o vermelho ou o verde em celebrações muito solenes.
Por que a cor importa
Porque ela ensina sem palavras. Quem entra na igreja e vê roxo sabe, antes de qualquer leitura, que o tempo é de preparação; quem vê vermelho num dia de semana sabe que se celebra um mártir.
Para quem acompanha a liturgia em casa, a cor do dia é também um jeito simples de sincronizar a oração doméstica com a da Igreja inteira, inclusive na toalha do oratório ou na vela escolhida.
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