No Brasil, o Dia da Bíblia é celebrado no último domingo de setembro, que em 2026 cai em 27 de setembro. A data fecha o Mês da Bíblia, dedicado neste ano ao Livro de Daniel, e antecede em três dias a memória de São Jerônimo, que traduziu as Escrituras para o latim e a quem se atribui a frase que resume o sentido da celebração.
De onde vem a data
A escolha do último domingo de setembro está ligada ao dia 30, memória de São Jerônimo. Foi ele quem passou décadas em Belém traduzindo os textos sagrados a partir do hebraico e do grego, produzindo a versão latina que a Igreja usaria por mais de mil anos.
A frase mais citada dele resume o motivo da comemoração: ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo. Ela aparece no prólogo do seu comentário ao profeta Isaías e foi retomada pelo Concílio Vaticano II na constituição Dei Verbum.
No Brasil, a celebração se firmou junto com o Mês da Bíblia, iniciativa que começou em 1971 e se tornou uma marca do catolicismo brasileiro, com paróquias e famílias lendo o mesmo livro ao longo de setembro.
O que a Igreja ensina sobre a Escritura
O documento de referência é a Dei Verbum, constituição do Concílio Vaticano II sobre a Revelação divina, de 1965. Três pontos dela ajudam a entender o que se celebra.
O primeiro é que a Escritura e a Tradição formam um único depósito da Palavra de Deus, confiado à Igreja, e não devem ser lidas uma contra a outra (Dei Verbum 10).
O segundo é que a interpretação exige atenção ao que os autores humanos quiseram dizer, ao gênero literário de cada texto e ao contexto em que escreveram, sempre dentro da fé viva da Igreja (Dei Verbum 12). É por isso que ler um salmo, uma carta de Paulo e uma visão de Daniel exige chaves diferentes.
O terceiro é o mais prático: o Concílio recomenda com insistência que todos os fiéis tenham acesso amplo à Escritura e a leiam com frequência, acompanhando a leitura com a oração (Dei Verbum 22 e 25).
Como celebrar em família
Uma forma simples é entronizar a Bíblia em casa: colocá-la num lugar visível e digno, aberta, no canto de oração, e não guardada numa gaveta. Muitas famílias fazem isso justamente nesse domingo, com uma oração curta em volta da mesa.
Outra é ler junto o último capítulo do livro que a comunidade acompanhou durante o mês. Em 2026, o Livro de Daniel. Cada pessoa lê alguns versículos em voz alta, e depois cada um diz em uma frase o que chamou a sua atenção, sem comentário longo.
Para quem tem crianças, funciona bem escolher uma narrativa e pedir que a contem de volta com as próprias palavras. Daniel tem material de sobra para isso: a fornalha, o banquete, a cova dos leões.
Um propósito para depois de setembro
O risco de uma data como essa é encerrar o assunto. A recomendação que costuma aparecer nas paróquias é escolher, ainda no domingo, o próximo livro a ser lido, e definir quando começar.
Para quem terminou Daniel, dois caminhos naturais: um Evangelho lido do começo ao fim, de preferência o de Lucas, que é o mais longo e o mais narrativo, ou os Salmos, tomados aos poucos, um por dia.
Qual edição usar
Qualquer Bíblia católica aprovada serve. As edições brasileiras mais conhecidas são a de Jerusalém, a Ave-Maria, a do Peregrino, a Pastoral e a tradução da CNBB, que diferem no estilo e no volume de notas, não no conjunto dos livros.
Duas conferências rápidas na hora de escolher: procure Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e os dois de Macabeus no índice, e verifique a aprovação eclesiástica impressa nas primeiras páginas, exigida pelo direito da Igreja (cân. 825).
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