Além do Rosário comum, a tradição católica tem dezenas de terços devocionais. São rezados nas mesmas contas, com orações próprias, e cada um está ligado a uma devoção e a um tipo de pedido. Outubro, mês do Rosário, é o momento de conhecer os principais e escolher qual acompanhar.
A diferença entre o Rosário e os terços devocionais
O Rosário é a oração mariana por excelência: quatro conjuntos de mistérios, vinte no total, com Pai-Nosso, dez Ave-Marias e Glória em cada dezena. É o que a Igreja mais recomenda e o que se reza no mês de outubro.
Os terços devocionais usam as mesmas contas, mas com orações próprias no lugar das Ave-Marias, ou com invocações específicas. Não substituem o Rosário; acompanham-no.
Os terços marianos
Terço da Sagrada Família
O mais rezado do nosso acervo, e com boa razão: pede pela casa, pelo trabalho e pela união dos que vivem sob o mesmo teto. É a escolha natural de quem reza pela família.
Terço de Nossa Senhora de Fátima
Ligado às aparições de 1917 e às orações que Nossa Senhora pediu ali, entre elas a jaculatória rezada ao fim de cada dezena. Muito rezado por quem se dedica à devoção reparadora.
Terço de Nossa Senhora Aparecida
A devoção da padroeira do Brasil, com invocações próprias. Cresce fortemente em outubro, na preparação para o dia 12.
Terço de Nossa Senhora das Graças
Ligado à Medalha Milagrosa e às aparições de 1830 a Santa Catarina Labouré. Rezado por quem pede graças concretas e por quem usa a medalha.
Terço de Nossa Senhora do Carmo
Ligado ao escapulário e à devoção carmelita. Muito procurado por quem reza em situação de urgência.
Terço do Imaculado Coração de Maria
Meditação sobre o coração de Maria e sobre a consagração pedida em Fátima.
Os terços de Cristo
Terço da Misericórdia
A Coroa da Divina Misericórdia, revelada a Santa Faustina Kowalska e difundida por São João Paulo II. Rezada sobretudo às três da tarde e junto de doentes e moribundos.
Terço do Sagrado Coração de Jesus
Ligado à devoção das primeiras sextas-feiras e às promessas feitas a Santa Margarida Maria Alacoque.
Terço do Perdão
Rezado por quem precisa perdoar alguém ou pedir perdão. Um dos mais úteis em situação de conflito familiar.
Terço das Chagas
Meditação sobre a Paixão, tradicionalmente rezado nas sextas-feiras e na Quaresma.
Os terços de santos
Terço de São José
A devoção ao pai adotivo de Jesus, ligada ao trabalho, à casa e à providência.
Terço de São Miguel Arcanjo
Também chamado Coroa Angélica. Ligado à proteção e aos nove coros angélicos.
Terço de Santo Antônio
O santo das causas perdidas e dos casamentos. Um dos terços mais rezados do Brasil.
Terço de Santa Rita de Cássia
A santa das causas impossíveis. Procurado em situações que já pareciam encerradas.
Terço de Santa Clara e Terço de Santa Dulce dos Pobres
Devoções mais recentes no nosso acervo e em crescimento, sobretudo a de Santa Dulce, canonizada em 2019.
Como escolher o seu
A resposta prática não é a mais espiritual, e é a que funciona: escolha o terço da devoção que a sua casa já reza. Terço de devoção desconhecida vira exercício; terço de devoção viva vira hábito.
Se a intenção é concreta — a família, uma doença, um perdão a dar, uma causa parada —, escolha pelo que a devoção pede. Se a intenção é geral, o Rosário comum é sempre a resposta certa, e é a que a Igreja mais recomenda.
Um único conselho de método: reze um só de cada vez, por um período. Alternar terços todos os dias costuma render menos do que perseverar num.
A peça
Todos esses terços se rezam nas mesmas 59 contas, então uma peça só serve para todos. O que muda é a oração, não o objeto.
Na prática, o que importa é ter um terço que você use: o de mão, para rezar em casa; a dezena de pulso, para levar no dia; o de pescoço, para quem prefere a devoção visível. Muita gente tem os três, um em cada lugar por onde passa.
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