Como perseverar na fé quando o entusiasmo passa

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Quase todo cristão, em algum momento da caminhada espiritual, enfrenta uma experiência comum: o entusiasmo inicial da fé diminui. A oração já não parece tão envolvente, as práticas espirituais exigem esforço e a vida cotidiana parece engolir o fervor que antes parecia tão forte.

Diante disso, surge uma pergunta silenciosa, mas profunda: como perseverar na fé quando o entusiasmo passa?

A fé cristã não ignora essa realidade. Pelo contrário, a Igreja ensina que a perseverança é sinal de maturidade espiritual, e não de fraqueza.

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O entusiasmo não é a base da fé cristã

O entusiasmo pode ser um dom no início da caminhada espiritual. Ele motiva, anima e desperta o desejo de buscar a Deus. No entanto, a Igreja ensina que a fé não se sustenta apenas em sentimentos.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a vida cristã envolve esforço, combate espiritual e fidelidade, especialmente quando os sentimentos não acompanham (cf. CIC 2725–2727).

Sentir menos entusiasmo não significa que a fé acabou. Significa que ela está sendo convidada a amadurecer.


A fé amadurece quando o sentimento diminui

A tradição espiritual da Igreja reconhece que o crescimento na fé passa por fases.

Depois do entusiasmo inicial, surgem períodos de:

  • rotina;
  • aridez espiritual;
  • cansaço;
  • silêncio interior.

Esses momentos não são castigo nem abandono de Deus. Muitas vezes, são o espaço onde a fé deixa de ser emoção e se torna decisão.

A perseverança nasce quando o cristão permanece fiel mesmo sem sentir consolação.


O exemplo de Jesus na perseverança

O próprio Jesus Cristo não viveu sua missão movido apenas por entusiasmo. Ele enfrentou incompreensão, rejeição, solidão e sofrimento.

No Getsêmani, Jesus não experimenta entusiasmo, mas angústia. Ainda assim, permanece fiel ao Pai.

Isso revela que a fidelidade vale mais do que o sentimento.


Perseverar não é fazer mais, mas permanecer

Quando o entusiasmo passa, muitos tentam compensar fazendo mais coisas. A fé cristã ensina outro caminho: permanecer.

Perseverar significa:

  • continuar rezando, mesmo com dificuldade;
  • permanecer na vida sacramental;
  • manter pequenas práticas espirituais;
  • confiar em Deus mesmo sem sentir Sua presença.

A perseverança não exige intensidade, mas constância.


O papel da disciplina espiritual

A Igreja sempre ensinou que a disciplina espiritual sustenta a fé nos períodos secos.

Pequenos hábitos, vividos com fidelidade, protegem a vida espiritual quando o entusiasmo desaparece.

Esses hábitos podem incluir:

A disciplina não substitui a graça, mas cria espaço para que ela atue.


Quando a fé parece rotina

A rotina não é inimiga da fé.

Na tradição cristã, é justamente na rotina que a fidelidade se prova.

O Tempo Comum, por exemplo, ensina que Deus age também — e talvez principalmente — nos dias comuns. A fé que persevera no ordinário é mais sólida do que aquela que depende de momentos extraordinários.


A perseverança é obra da graça

É importante lembrar: ninguém persevera sozinho.

A Igreja ensina que a perseverança é dom de Deus, pedido na oração e sustentado pela graça.

Quando o entusiasmo passa, o cristão é convidado a:

  • pedir a graça da perseverança;
  • confiar mais em Deus do que em si mesmo;
  • aceitar os próprios limites com humildade.

A fidelidade cotidiana agrada mais a Deus do que grandes impulsos passageiros.


O valor das pequenas fidelidades

Na vida espiritual, o pequeno feito com amor tem grande valor.

Rezar poucos minutos, ir à Missa mesmo sem vontade, permanecer fiel às responsabilidades diárias — tudo isso constrói uma fé madura.

A Igreja ensina que a santidade se forma na constância das pequenas escolhas.


Quando o entusiasmo passa, a fé pode crescer

Paradoxalmente, é quando o entusiasmo passa que a fé pode crescer de forma mais profunda.

Livre da dependência dos sentimentos, o cristão aprende a:

  • confiar mais;
  • amar com maturidade;
  • permanecer por decisão;
  • viver a fé como compromisso.

Essa fé não é frágil — é enraizada.


Perseverar é amar com fidelidade

A fé cristã não é uma sucessão de emoções, mas uma relação de amor que se sustenta no tempo.

Como todo amor verdadeiro, ela amadurece quando passa pela prova da fidelidade.

Quando o entusiasmo passa, Deus continua presente.

E é justamente aí que a fé deixa de ser apenas sentida e passa a ser vivida.

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